segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O processo geral do saber.
CARLOS RODRIGUES BRANDÃO


Nossos ancestrais já tinham no corpo sinais de que transformariam o ato de saber no ato de saber simbólico que tornariam o saber que qualquer ser vivo tem para sobreviver que é o começo da possibilidade de os seres vivos aprenderem não apenas do e com o seu meio natural, mas uns com os outros.
A sobrevivência da sociedade depende de os seus habitantes pensarem em meios de entre eles circularem sempre: bens, mulheres e mensagens. Quando o homem sabe e ensina o saber é através das relações de objetos, pessoas e idéias que ele está falando. Assim, a educação é condição da recreação da própria vida, individualmente a educação é a criação da própria pessoa. Então, aprender significa tornar-se uma pessoa.
Durante toda vida a história social da humanidade e a prática pedagógica sempre existiu, mas imersa em outras práticas sociais já existentes: no trabalho, no ritual, nos diferentes trabalhos do viver e da cultura. E incorporaram a própria estrutura simbólica da sociedade nas idéias, ações e sentimentos de cada pessoa. Assim como o trabalho produtivo e o poder comunitário não se separam, o saber não poderia existir separado da própria vida.
Modos de um saber próprio, apropriado do que antes era comum e aos poucos separado dos conhecimentos coletivos transforma-se no começo do poder de alguns. Porém, a separação de algumas modalidades de saber foi aparecendo com o passar dos tempos na história.
Através da agricultura o homem percebe que pode separar-se de atividades contínuas e de resultados não esperados, como a caça, a pesca e pode ampliar-se. As moradias com muitas pessoas distribuídas em sociedades mais diferenciadas. A cidade passou a viver do que o trabalho produzia no campo. Portanto, a cidade depende do agricultor e dos produtos do campo.
Em um primeiro momento a escola criada pela cidade se localizava nos templos onde eram educados nobres e sacerdotes. Porém, com o passar do tempo era visto como um lugar separado e a educação encontra nela a possibilidade de separar-se das outras práticas sociais em que sempre esteve imersa.
Neste momento a educação popular torna-se a fração do saber que existem à margem do poder regidos pela desigualdade e dedicam o saber que produzem à consagração da própria desigualdade. Escravos, servos, homens e mulheres aprendiam juntos, na sua convivência o que necessitavam para realizarem seus trabalhos e para sobreviver. Aprendiam os mitos que explicavam suas origens e as razões do mundo em que viviam.
A partir da divisão dos domínios do saber não existem nem separados um do outro e nem paralelos um ao outro. Os dois domínios do saber precisam estar sempre juntos havendo um processo contínuo de apropriação do saber e reorganização das áreas profissionais que traçam fronteiras entre um domínio e outro. Dessa forma, existem trocas, conflitos que resulta no saber das classes, grupos, povos e tribos pertencentes de uma sociedade desigual.

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